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O bolsonarismo, a estupidez e o auto reconhecimento na idiotia eleitoral infinita do outro

Até que ponto se pode apoiar um candidato em nome de uma convicção ideológica — ou mesmo sem ideologia alguma? Essa é uma pergunta que tenho feito nos últimos tempos. As respostas têm me intrigado a ponto de me levar a buscar leituras no campo da psicologia, na tentativa de compreender o fenômeno patológico do bolsonarismo. Aqui, porém, vamos nos ater apenas aos acontecimentos dos últimos dias.

O cenário atual é preocupante do ponto de vista civilizacional. Estamos lidando com tamanha rigidez cognitiva que o filho de um ex-presidente, cujo governo contribuiu para a morte de milhares de pessoas durante a pandemia de Covid-19 e foi marcado por sucessivos escândalos, ainda permanece eleitoralmente competitivo. Em outros tempos, fatos muito menos graves seriam suficientes para enterrar qualquer candidatura. Apesar disso, a distância entre Flávio e seu principal adversário continua pequena diante do tamanho do abismo moral em que ele se encontra.

Há diversos indícios de corrupção e relações, no mínimo, suspeitas. Entre eles está a mansão de muitos milhões de reais financiada pelo BRB, banco que, por sua vez, tentou comprar o Banco Master. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, teria financiado o patético filme sobre Bolsonaro, Dark Horse, enquanto Eduardo Bolsonaro aparecia como um dos principais articuladores da administração desses milhões de reais nos Estados Unidos.

Como se não bastasse, Eduardo abandonou o exercício do mandato de deputado federal para viajar aos Estados Unidos e atuar contra o próprio país. Dedicou-se a pressionar o governo norte-americano para sufocar a economia brasileira, mesmo sabendo que medidas dessa natureza poderiam atingir milhões de pessoas e ampliar a fome e a miséria.

Flávio se juntou ao irmão com a finalidade de ampliar ainda mais o estrangulamento econômico do país. Nesse mesmo contexto, surgiram os escândalos envolvendo o banco cujo dono financiou o filme sobre seu pai e que teria influenciado o financiamento da mansão milionária por meio do BRB. Por fim, apareceram fotografias, documentos e diversos outros indícios de que Vorcaro teria sido uma criação política do próprio Bolsonaro.

Para coroar tudo isso, sua madrasta se rebelou em meio a uma disputa de egos e gravou um vídeo expondo a guerra no esgoto bolsonarista. Ela demonstrou ser vítima da mesma ideologia que sempre defendeu — e que, contraditoriamente, ainda defende.

Isso sem mencionar os escândalos envolvendo Valdemar Costa Neto, o caso das rachadinhas e tantos outros episódios que sequer foram citados. Há, ainda, a própria crueldade dessa ideologia desumana, baseada na disposição de colocar milhões de pessoas de joelhos em nome dos interesses de uma família de desajustados.

E o que mais preocupa, do ponto de vista civilizacional?

É simples: sua candidatura ainda não ruiu.

É preciso refundar o país sobre outras bases e construir um novo sistema, diferente deste capitalismo radicalizado, cujos principais prejuízos já podem ser percebidos nos comportamentos e nos costumes de grande parte da população. Nesse processo, muitos foram transformados em indivíduos incapazes de compreender a vida coletiva, desesperados por qualquer coisa que lhes ofereça um sentimento de pertencimento — ainda que esse vínculo seja construído pelo reconhecimento mútuo da própria estupidez, inclusive da estupidez bolsonarista.