Enquanto áreas nobres recuperam energia rapidamente, periferia do Rio sofre no escuro
A desigualdade social que molda o Rio de Janeiro evidenciou-se mais uma vez após o vendaval da última quarta-feira (29). Enquanto moradores de Copacabana, na Zona Sul, viram a energia elétrica ser restabelecida em apenas 15 minutos, milhares de famílias de Vigário Geral e de municípios da Baixada Fluminense enfrentaram mais de 70 horas de apagão. Esse abismo no atendimento das concessionárias privadas expõe a urgência de uma regulação mais firme dos serviços essenciais e do fortalecimento de políticas públicas de adaptação climática voltadas para a população vulnerável.
Diante da demora da Light e da Enel, moradores de diversas comunidades e bairros periféricos realizaram protestos legítimos por dignidade. Na Zona Oeste, houve interdições de vias na Taquara, em Sepetiba e em Guaratiba, onde a Polícia Militar interveio para liberar o trânsito. Manifestações semelhantes ocorreram em Campo Grande e na Baixada Fluminense, incluindo Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Queimados, onde a população cobrou o restabelecimento do serviço após dias no escuro.
Apesar de a Enel alegar que a maior parte dos clientes teve o serviço normalizado, mais de 100 mil imóveis continuavam sem luz na sexta-feira (31). O cenário reforça o debate urgente sobre o racismo ambiental. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, 74,2% dos lares precários no país são chefiados por pessoas negras e de baixa renda. Diante disso, o governo federal tem defendido que garantir infraestrutura urbana robusta e combater a desigualdade na prestação de serviços são passos fundamentais para proteger a periferia dos impactos das mudanças climáticas.






