Hamas propõe novo plano de cessar-fogo que pode conduzir ao fim da guerra em Gaza

Hamas propõe novo plano de cessar-fogo que pode conduzir ao fim da guerra em Gaza

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Plano inclui três fases, de 45 dias cada uma, e objetivo do grupo palestino é obter a troca entre combatentes e reféns israelenses.

O Hamas elaborou um projeto de cessar-fogo de quatro meses e meio que provavelmente levará ao fim do conflito contra Israel, de acordo com um documento consultado pela agência Reuters. O plano inclui três fases, de 45 dias cada uma, e é uma resposta a uma proposta elaborada pelos enviados do Catar e do Egito, que fazem a mediação com as autoridades israelenses.

O objetivo do Hamas é obter a troca entre combatentes palestinos e reféns israelenses capturados em 7 de outubro. O plano também inclui o início da reconstrução de Gaza, a retirada total das forças de Israel e a devolução dos corpos e restos mortais de ambos os lados.

Durante o primeiro período de 45 dias, o Hamas propõe liberar todos os reféns do sexo feminino e do sexo masculino de menos de 19 anos, além de idosos e doentes. Em troca, o movimento palestino exige a libertação das mulheres e crianças detidas em prisões israelenses.

Os reféns homens acima de 19 anos seriam soltos na segunda fase, antes da devolução dos corpos e dos restos mortais, que ocorreria durante a última etapa. Segundo o Hamas, a ideia é que 1.500 prisioneiros palestinos sejam libertados e que 500 deles sejam escolhidos entre os condenados à prisão perpétua em Israel. Caso se concretize, a trégua também permitirá o envio de mais ajuda à Faixa de Gaza.

Desde o início do conflito, que começou após uma ofensiva do Hamas a Israel e a morte de 1.200 israelenses no sul do país, em 7 de outubro, mais de 27.585 palestinos morreram no enclave. Os corpos de outras milhares de vítimas ainda estariam soterrados sob os escombros dos prédios destruídos pelos bombardeios, de acordo com um relatório enviado na terça-feira (06/02) pelo Ministério da Saúde.

Chegada de Blinken

O anúncio feito pelo Hamas coincide com a chegada do secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken a Tel Aviv, nesta terça-feira. Ele está reunido com líderes israelenses nesta quarta-feira (07/02) para mediar um novo acordo de trégua na Faixa de Gaza, incluindo a libertação de reféns. A guerra entre Israel e o Hamas completou quatro meses nesta quarta-feira.

De acordo com uma autoridade dos EUA, Blinken foi informado na terça-feira sobre a proposta do emir do Catar.

O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, disse estar “otimista”, e descreveu a resposta do Hamas como “positiva”. Essa resposta também foi encaminhada ao Mossad, o serviço de inteligência de Israel. “Os detalhes estão sendo cuidadosamente considerados pelas autoridades envolvidas nas negociações”, segundo o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Rafah pode ser próximo alvo

Os bombardeios israelenses continuam a atingir Khan Younis no sul do território palestino e na cidade vizinha de Rafah, onde centenas de milhares de deslocados temem um ataque terrestre.

De acordo com o Ministério da Saúde do Hamas, 100 pessoas foram mortas desde a noite de terça-feira em toda a Faixa de Gaza.

Bairros inteiros foram destruídos pelos bombardeios israelenses e 1,7 milhão de pessoas, segundo a ONU, foram deslocadas dos cerca de 2,4 milhões de habitantes do enclave sitiado por Israel. Depois de fugir dos combates no norte, mais de 1,3 milhão de deslocados, de acordo com as Nações Unidas, estão agora amontoados em Rafah em condições precárias. O número representa cinco vezes a população original da cidade na fronteira com o Egito.

*Opera Mundi

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