A insolúvel crise de superprodução e o atual contexto de crise global

Um dos fenômenos da Economia Capitalista mais comentados ao longo do tempo tem sido o problema da queda tendencial drástica daquilo que se convencionou chamar de “taxa de lucros” no âmbito do comércio de mercadorias (o coração do sistema Capitalista).


Este tema em particular nos remete a conceitos que vão desde Adam Smith a Karl Marx quando se trata de livre mercado, livre concorrência, fetiche da mercadoria, capital fixo/capital circulante, trabalho vivo e trabalho morto (amortizado), trabalho produtivo e improdutivo, valor de troca/valor de uso entre outros.

À medida que as forças produtivas avançam técnica e cientificamente, embora num primeiro momento promovam lucros, este ganho passa a declinar na medida em que a concorrência adota os mesmos meios de produção avançados (trabalho morto), ou seja, maquinário avançado e automatizado.

Esta livre concorrência na fabricação e comércio de mercadorias oriundas de “trabalho morto” provocam enorme depreciação das mercadorias. Essa queda dos preços novamente reflete um desdobramento da livre concorrência. Entretanto, devido às vantagens na etapa de produção (indústria avançada) a competitividade força a queda nos preços para que os concorrentes tenham condições de vencer a concorrência.

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Esta queda de braço fatalmente chegará a ponto tal que o preço da mercadoria (valor de troca) chega a 0%. Como mecanismo de contenção desta crise depreciativa, o valor de troca (preço) passa a ser “simulado” como se produto de trabalho vivo fosse (fetiche da mercadoria).

Um ótimo exemplo para compreender isso se expressa através da seguinte indagação: Por que um iPhone última geração custa quase 5 mil reais e não 50 reais? O motivo é que as pessoas compram o prestígio de possuir uma mercadoria de tal marca e não pelo seu valor de uso propriamente dito.

Esta tendência econômica leva consequentemente a uma sobrecarga de maquinário industrial (trabalho morto) dentro da esfera do trabalho produtivo (indústrias) o que, por conseguinte, leva várias empresas a acumular máquinas que não conseguem produzir valor. Em outras palavras, o capitalista tem máquina para produzir e vender à rodo mas não tem lucro com o que vende.

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Muitos teóricos argumentam que a “solução” de tal problema só pode ser identificada fora da Economia de mercado, através da Política, que cria situações que facilitam a “queima” da superprodução. As guerras mundiais por exemplo, as de larguíssima escala são consideradas, em grande medida, as melhores soluções para a renovação do ciclo de crescimento. Por este motivo a crise de Superprodução que tem se agravado década após década a partir de 1970, hoje poderá conduzir-nos a um conflito global.

Eduardo Morelli

Professor formado em História, pós-graduado em História, Sociedade e Cultura e atual pós-graduando em Filosofia e Pensamento Político Contemporâneo

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