Política

Produção Agrícola Recorde em 2026: Soja Domina, Mas Arroz e Feijão Sinalizam Alerta

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas prevê um cenário de colheita recorde em 2026, com a marca de 350,4 milhões de toneladas, um crescimento de 1,2% em relação à safra anterior. O resultado, divulgado pelo IBGE, é impulsionado principalmente pela expansão da soja, que consolida sua posição como o carro-chefe do agronegócio nacional, respondendo por quase metade da produção total. A oleaginosa deve alcançar um volume inédito de 174,6 milhões de toneladas, um aumento de 5,1%.

A ampliação das áreas cultivadas, a incorporação de novas tecnologias e condições climáticas favoráveis em grande parte do país contribuíram para este desempenho histórico. O Centro-Oeste reafirma sua liderança como principal polo produtor, concentrando mais de 50% da safra nacional, com destaque absoluto para o estado de Mato Grosso.

Contudo, nem tudo são flores. A análise revela um contraponto preocupante: a retração na produção de culturas essenciais para o abastecimento interno. O arroz registrou uma queda expressiva de 11,4%, e o feijão recuou 5,8%. O IBGE alerta que a produção de feijão pode ficar aquém do necessário para o consumo nacional, demandando possíveis importações. O milho também apresentou um leve recuo de 1,7% no volume total, apesar do bom desempenho na primeira safra, a segunda, mais expressiva, sofreu com a redução.

Outras culturas como o algodão herbáceo e o trigo também registraram quedas significativas em suas produções.

Paralelamente aos dados de produção, a pesquisa sobre estoques aponta um aumento na capacidade de armazenagem agrícola, com um crescimento de 1,1% no segundo semestre de 2025. A infraestrutura de armazéns graneleiros e silos cresceu substancialmente nos últimos 28 anos, adaptando-se à escala da produção de grãos.

Os números do IBGE reforçam a força do agronegócio brasileiro e sua crescente dependência da soja. Ao mesmo tempo, evidenciam a necessidade urgente de políticas que promovam a diversificação produtiva e garantam o abastecimento interno, além de investimentos em infraestrutura logística e de armazenagem para acompanhar o ritmo da produção.