Bancada do agro boicota medida do governo que protege caminhoneiros
A Medida Provisória 1.343/2026, editada pelo governo federal para assegurar o cumprimento da tabela do frete mínimo, enfrenta uma forte ofensiva de setores do agronegócio e da indústria no Congresso Nacional. A proposta, que visa proteger os caminhoneiros autônomos contra a precarização do trabalho e garantir uma remuneração justa, corre o risco de perder a validade em 16 de julho caso não seja votada a tempo pelos parlamentares.
A iniciativa do governo federal modernizou a fiscalização por meio do cruzamento eletrônico de dados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), utilizando o Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) e o Manifesto Eletrônico (MDF-e). Essa tecnologia impede que grandes embarcadores, como multinacionais e indústrias, paguem valores abaixo do piso legal aos transportadores autônomos, categoria que representa 62% do transporte rodoviário de cargas no país e possui menor poder de negociação frente aos grandes oligopólios.
Apesar da relevância social da medida para a subsistência dos motoristas, frentes parlamentares ligadas ao poder econômico atuam para travar a tramitação da MP, que já recebeu 427 emendas e sequer teve sua comissão mista instalada. Lideranças da categoria denunciam um boicote coordenado e organizam mobilizações em Brasília para pressionar o Legislativo. “Estão fazendo um boicote à MP, para atingir diretamente os transportadores autônomos”, alerta Wallace Landim, o Chorão, presidente da CNTA, sinalizando o risco de uma nova paralisação nacional.
Enquanto entidades patronais como a CNI e a CNA contestam o modelo de fiscalização no Supremo Tribunal Federal (STF), defensores dos direitos trabalhistas reforçam que a regulação estatal e o monitoramento digital são fundamentais para restabelecer o equilíbrio e a justiça social nas estradas brasileiras.






