Política

Apreensão de arma de Bolsonaro coloca em risco prisão domiciliar do ex-presidente

A apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, na noite de segunda-feira (15) em Brasília, pode reverter a prorrogação de sua prisão domiciliar. O benefício, concedido por razões humanitárias, tem prazo para acabar no próximo dia 25 e sua renovação era cogitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em função do cumprimento da medida sem intercorrências até o momento.

O episódio, no entanto, acendeu um alerta no ministro, que deu 24 horas para a defesa do ex-presidente se justificar. Moraes questiona a necessidade de um reparo no armamento às vésperas do fim do prazo da custódia e aponta para um possível descumprimento de ordens judiciais, já que a arma foi encontrada com um terceiro a quilômetros da residência. A violação de medidas cautelares é um argumento recorrente do ministro para revogar benefícios, como já ocorreu em outras ocasiões envolvendo Bolsonaro.

A desconfiança do ministro é agravada pelo histórico do ex-presidente e pela postura do segurança durante a abordagem policial, que teria tentado ocultar a pistola e fornecido informações imprecisas sobre o registro da arma. Fontes próximas ao STF indicam que a prorrogação era vista como um gesto de boa vontade diante do comportamento recente de Bolsonaro. Contudo, se as explicações da defesa não forem convincentes, o ex-presidente pode ser enviado de volta ao complexo penitenciário da Papudinha. Moraes já sinalizou que o local possui estrutura para garantir os cuidados médicos necessários a Bolsonaro.