Brasil no G7: Lula levará críticas e deve rejeitar maioria dos textos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo para a cúpula do G7, em Evian, onde deve adotar uma postura de independência e crítica às potências globais. A expectativa é que o Brasil não assine a maior parte das declarações propostas, reafirmando sua soberania em temas estratégicos e defendendo os interesses do Sul Global.
Lula usará o encontro para criticar o protecionismo comercial dos países ricos e a priorização de gastos militares em detrimento de investimentos em desenvolvimento. A diplomacia brasileira tradicionalmente evita subscrever documentos em cuja elaboração não teve participação plena, e no G7 os convidados não possuem poder de veto ou de alteração nos textos.
Entre os pontos de discordância está a declaração sobre economia global, vista como insuficiente por não abordar de forma adequada o unilateralismo e a dívida dos países em desenvolvimento. O governo também rejeita um texto sobre terras raras, interpretado como uma aliança contra a China, e defende sua autonomia para atrair investimentos diversos no setor.
Na pauta de imigração, o governo Lula considera que o documento do G7 não reflete uma abordagem baseada em direitos humanos, distanciando-se da visão brasileira. Outra proposta, sobre “parcerias internacionais”, é vista como uma tentativa de substituir a ajuda estatal ao desenvolvimento, drasticamente cortada pelos países ricos, por ações do setor privado.
Apesar das divergências, há espaço para colaboração. O Brasil poderá apoiar duas iniciativas: uma sobre a proteção de menores em redes digitais e outra voltada ao combate ao câncer. Na terça-feira, Lula participará de um almoço com líderes de grandes plataformas digitais para discutir o tema. A decisão final sobre o apoio a esses textos ainda será definida pela presidência.






