Sob pretexto diplomático, Trump e Rubio avançam contra o Brasil
A soberania brasileira enfrenta uma crescente ofensiva vinda dos Estados Unidos, em uma escalada de pressão que vai muito além de simples desentendimentos diplomáticos. Sob a liderança de figuras como o ex-presidente Donald Trump e o senador Marco Rubio, Washington adota uma postura que remete aos momentos mais sombrios da nossa história, como o período que antecedeu o golpe de 1964, quando o governo de João Goulart sofreu ameaças diretas.
As ações não são veladas. Trata-se de uma sucessão de golpes calculados para minar a autonomia nacional, que incluem desde declarações hostis e imposição de tarifas comerciais até medidas mais graves, como a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas e a revogação do visto da embaixadora do Brasil. O objetivo, segundo analistas, não é apenas enfraquecer o atual governo federal e interferir no processo eleitoral, mas reduzir o país a uma condição de satélite dos interesses norte-americanos.
Essa estratégia de cerco político se expande pela América do Sul. A pressão sobre o Brasil tem sido terceirizada para governantes ideologicamente alinhados a Washington, como Javier Milei, na Argentina, e Santiago Peña, no Paraguai. A fabricação coordenada de crises diplomáticas por parte desses países vizinhos evidencia uma tática para isolar o Brasil no continente, transformando seus vizinhos em clientes dependentes dos EUA.
Essa ofensiva não se limita ao campo diplomático, mas se aprofunda em uma disputa pelo imaginário da população. Desde a década de 1950, com agências como a United States Information Agency (USIA), os EUA investem em estratégias para moldar a percepção dos brasileiros sobre a realidade, fazendo com que seus interesses pareçam naturais. Hoje, essa batalha de ideias foi modernizada e é travada por meio de um ecossistema de redes sociais controlado por bilionários, que amplifica narrativas e impulsiona figuras políticas alinhadas a essa agenda, como a família Bolsonaro. O que está em jogo, portanto, é a capacidade do povo brasileiro de nomear a realidade para poder resistir a ela.
Baseado mme matéria em The Intercept Brasil






