Vício em apostas online compromete saúde dos trabalhadores e desafia empresas
O avanço do mercado de apostas virtuais tem gerado graves impactos na saúde mental da classe trabalhadora brasileira, refletindo-se diretamente no ambiente de trabalho com o aumento de faltas, pedidos de adiantamento salarial e endividamento extremo. Diante desse cenário desafiador, as políticas públicas de saúde e a rede de proteção social surgem como os principais pilares de apoio e acolhimento para os trabalhadores afetados pela ludopatia.
Para enfrentar o problema de forma humanizada, o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, estruturou uma resposta robusta. O programa de telemedicina focado exclusivamente no tratamento de pessoas com dependência em jogos oferece consultas sigilosas com psicólogos e terapeutas. A iniciativa é realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, garantindo acesso gratuito e de qualidade por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
O impacto do adoecimento na base produtiva do país é evidente. Os afastamentos por transtorno do jogo registraram alta de 59,8% na comparação entre 2024 e 2025. Entidades sindicais, como a Femaco, têm atuado na conscientização sobre os riscos das bets, alertando para o drama de trabalhadores que perdem seus salários e acabam contraindo dívidas. Especialistas apontam que a dependência frequentemente vem associada a quadros de depressão e ansiedade, exigindo um olhar atento e preventivo.
No campo dos direitos trabalhistas, a orientação de especialistas de recursos humanos e debates no Tribunal Superior do Trabalho (TST) caminham para a superação de medidas punitivas, como a demissão por justa causa. A recomendação prioritária é o acolhimento, com encaminhamento para avaliação médica e, quando necessário, o devido suporte previdenciário pelo INSS. Além do SUS, serviços como os Jogadores Anônimos e o Pro-Amjo, do Hospital das Clínicas da USP, seguem como importantes redes de apoio para a recuperação da cidadania e da saúde dos trabalhadores.






