Política

Banco Master: Instituições barram acordo de Vorcaro por falta de devolução de recursos

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) demonstraram rigor na defesa do patrimônio público ao rejeitarem a proposta de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão reflete o fortalecimento das instituições de controle no combate a crimes financeiros, priorizando a efetiva recuperação de recursos para o erário em detrimento de acordos sem consistência técnica.

Segundo os investigadores, o material apresentado pelo banqueiro não trouxe fatos novos que justificassem os benefícios de uma delação. O órgão constatou que a proposta se baseava majoritariamente em relatos de terceiros, sem provas autônomas. Além disso, a ausência de mecanismos concretos para a devolução de ativos pesou de forma decisiva para a negativa das autoridades.

Nos bastidores, as sucessivas tentativas de acordo foram vistas como uma estratégia para ganhar tempo enquanto as investigações avançavam. Interlocutores apontam que a movimentação indicava uma aposta em uma eventual mudança no cenário político nacional, com a expectativa de que um futuro governo de Flávio Bolsonaro pudesse alterar o ambiente institucional de fiscalização.

A PGR também desmentiu boatos que circulavam na imprensa sobre uma suposta devolução de R$ 60 bilhões, esclarecendo que nunca houve discussão de valores e que o banqueiro apresentou dificuldades para a recuperação de ativos. Com a dupla rejeição da PF e da PGR, as autoridades reafirmam que a justiça de transição e os acordos de colaboração exigem compromisso real com o interesse público e provas robustas.