Indicação de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro gera racha na extrema-direita
A escolha de Alfredo Gaspar para compor a chapa de Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral expôs a fragilidade e as divisões internas da extrema-direita. Longe de demonstrar força, a decisão revelou o desarranjo de um campo político que, embora adote um discurso moralista, relega as mulheres a um papel secundário na partilha real do poder e se apoia em velhas práticas de acomodação fisiológica com o centrão.
O descontentamento com a indicação ganhou contornos públicos dentro do próprio clã. Eduardo Bolsonaro admitiu, em tom de sincericídio, que a escolha não garante estabilidade política nem força para pautas de impeachment. Já Michelle Bolsonaro usou suas redes sociais para ironizar a decisão, alfinetando a exclusão de lideranças femininas que haviam colocado seus nomes à disposição para a vaga de vice. O episódio evidencia a contradição de um setor que usa a base feminina para mobilização moral, mas a exclui das decisões de cúpula.
Além do racha familiar, o perfil de Gaspar acumula desgastes. O parlamentar carrega o peso de questionamentos éticos e denúncias graves no Congresso, além de um histórico de comportamento agressivo em debates públicos. Para analistas e lideranças progressistas, como o ex-ministro Zé Dirceu, a articulação desastrada demonstra que Flávio Bolsonaro não possui a estatura política necessária para liderar um projeto nacional consistente.
Esse cenário de isolamento e improvisação da oposição contrasta com a solidez do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que avança sustentado por uma ampla coalizão democrática e focado na reconstrução econômica e social do país. Diante do favoritismo de Lula, que reúne condições reais de vitória, as forças progressistas mantêm a guarda alta e alertam para a necessidade de defender a soberania nacional contra possíveis interferências externas na disputa de 2026.






