Como o Real se tornou a pior moeda do mundo? Entenda.

Como o Real se tornou a pior moeda do mundo? Entenda.

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A resposta de pronto é Bolsonaro. Embora esteja correta, a resposta mais apropriada tem uma explicação racional, é sobre ela que vamos discutir.

A construção de uma imagem de um país se dá principalmente pelo seu arcabouço de segurança jurídica, é aí que os investidores se fundamentam para ter segurança ao investir em um país. A pergunta que surge diretamente disso é, se der algum problema, como o judiciário garantirá o meu retorno financeiro? É aqui que entra Sérgio Moro e a Lava Jato.

Moro condenou pessoas de todos os espectros sem qualquer base jurídica, em diversos pontos da Lava Jato, para remover o ex-presidente Lula da corrida presidencial. Ou seja, o mercado financeiro mordeu o próprio rabo, ao apoiar a Lava Jato e destruir a segurança jurídica, que levou ao impeachment de Dilma Rousseff (golpe de 2016) sem qualquer base constitucional. Rasgada a Constituição, a base da legalidade estava corroída. Sem segurança jurídica, sem investimento estrangeiro.

Quando assumiu, Michel Temer fez de tudo para agradar o mercado, colocando o Brasil de joelhos para mercado financeiro, que no Brasil desindustrializado, está de joelhos para a agroindústria.

Com Lula fora da corrida, o espírito punitivista da Lava Jato levou Bolsonaro à presidência e a eleição que deveria normalizar a democracia, piorou a situação. Bolsonaro, então, fez absolutamente tudo para não garantir a normalidade institucional, ameaçando a democracia com golpes de estado, perseguição aos opositores e total incompetência de uma equipe alucinada de governo.

Questões ambientais, apesar de importantes, surgem como argumento, já que destroem a imagem do país, no mundo. Com isso, ninguém quer se associar a países cujo presidente tem ares medievais, genocidas e pró-desmatamento, ou seja, que tenha uma imagem internacionalmente ruim. Na era do marketing, imagem é tudo.

O negacionismo na pandemia e as imbecilidades terraplanistas e de teorias conspiratórias foram a cereja do bolo.

Então, do ponto de vista do mercado financeiro, estava tudo pronto para a debandada de investidores estrangeiros, só faltava Bolsonaro chutar a política fiscal pro espaço e adotar soluções populistas (do ponto de vista do mercado) para resolver a crise econômica.

Pronto! Quanto mesmo investidores internacionais, menos dólar no mercado. Na escassez da moeda americana, seu valor se eleva, já que há menos volume da moeda americana disponível no mercado interno. Com isso, o Banco Central torra reservas para comprar reais e tentar abastecer o mercado com a moeda americana oriunda das reservas deixadas por Lula e Dilma.

O resultado é a tragédia econômica a que nos metemos. Só há uma saída no horizonte, as eleições de 2022, com Lula na corrida, o que deveria ter ocorrido em 2018. Enfim, nos tornamos o pior país do mundo, para investidores.

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