Governo do DF cobra R$ 1 milhão de ONG ligada a bolsonaristas
A fiscalização rigorosa sobre os recursos destinados à educação pública resultou na cobrança de R$ 1 milhão pelo Governo do Distrito Federal (GDF) contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A ONG, presidida por Karina Ferreira da Gama — que também é sócia da produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro —, apresentou falhas graves na execução de um projeto de robótica voltado a estudantes da rede pública.
Segundo relatórios da Secretaria de Educação, o projeto “Steam Maker”, elaborado para criar laboratórios de tecnologia nas escolas, entregou kits sem funcionar e não prestou o suporte técnico necessário. Relatos de professores apontam que os materiais eram frágeis, exigindo reparos improvisados com fita crepe, e que o treinamento oferecido pela entidade limitou-se ao envio de links do YouTube.
O convênio, firmado em 2023 por R$ 4 milhões, recebeu um aditivo de R$ 1 milhão em janeiro de 2025. É justamente o valor deste aditivo que está sendo cobrado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP-DF), que rejeitou as contas da instituição. A gestão pública informou que vai reavaliar a parceria integralmente para apurar eventuais débitos adicionais.
A defesa do uso correto da verba educacional ganha destaque diante do histórico da entidade. Empresas e associações ligadas a Karina Ferreira da Gama também receberam recursos públicos de emendas parlamentares de deputados bolsonaristas e atuaram na prestação de serviços para campanhas de aliados do ex-presidente.
Em nota, o ICB refutou a tese de descumprimento do acordo, alegando que as atividades foram executadas e que os ajustes fazem parte da complexidade do projeto. A ONG tem o prazo de 15 dias para apresentar sua defesa oficial junto aos órgãos do DF.






