Esporte

Postura de Messi e Mbappé expõe nacionalismo tóxico no futebol

Enquanto a obsessão por estatísticas domina o debate esportivo, os craques Lionel Messi e Kylian Mbappé ofereceram uma lição de grandeza. Após quebrarem recordes históricos em Copas, ambos fizeram questão de minimizar os próprios feitos. Messi declarou que os números, por si sós, não o tornam o maior da história, enquanto Mbappé foi enfático ao reafirmar Pelé como o “Rei” indiscutível do esporte.

As declarações, no entanto, foram interpretadas por uma parcela de torcedores como mera reverência ao futebol brasileiro, revelando um chauvinismo que impede o reconhecimento genuíno do talento. Nas redes, o fenômeno se repete em frases como “Não torço para a Argentina, MAS torço por Messi”, uma necessidade de ressalva que reflete a polarização e a dificuldade em celebrar o esporte para além de fronteiras.

Esse nacionalismo exacerbado serve de cortina de fumaça para a crise estrutural do futebol nacional, fruto de anos de descaso e má gestão pela cartolagem. A atual seleção, insípida, é reflexo de um projeto que enfraqueceu nossas bases e talentos, um retrato de um passado recente que o país se esforça para superar em diversas áreas.

Nesse cenário, a busca por bodes expiatórios já começou, e o técnico estrangeiro Carlo Ancelotti surge como alvo preferencial de críticas baseadas em um suposto “caráter nacional” anacrônico. A verdadeira questão, no entanto, não é a identidade supostamente diluída pela globalização, mas a necessidade de reconstruir o esporte no Brasil, valorizando nossos talentos e abandonando uma mentalidade que nos aprisiona a um passado glorioso, mas distante.