Política

EX-AUDITOR FISCAL DE SP VOLTA PARA A CADEIA POR ESQUEMA BILIONÁRIO DE PROPINA COM CONCESSIONÁRIAS DE LUXO

A Justiça paulista mandou prender novamente Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP), que já foi detido no ano passado por suspeita de liderar um esquema de fraudes bilionárias no ressarcimento de créditos de ICMS. Desta vez, a nova prisão se dá por uma denúncia que aponta que o mesmo modelo de fraude foi aplicado em benefício do Grupo Autostar, de concessionárias de carros de luxo, posteriormente adquirido pelo Grupo Automob.

Gomes, considerado o líder do que a Justiça chama de “maior esquema criminoso dentro da Sefaz-SP”, teria manipulado arquivos eletrônicos e usado um “fator de multiplicação” sobre os créditos a serem ressarcidos, com o objetivo de embolsar propinas. A denúncia detalha que o ex-auditor fiscal mantinha uma “relação de prestação fraudulenta de ‘assessoria tributária'” com as concessionárias.

O esquema, que teria funcionado antes e depois da venda das concessionárias ao Grupo Automob, resultou em um prejuízo de mais de R$ 100 milhões apenas na primeira fase, com propinas variando de 5% a 7% do montante. Após a aquisição pelo Grupo Automob, a fraude teria continuado, com 6% de propina destinada a Gomes.

Em nota, o Grupo Automob afirma que os fatos apontados se referem a um período anterior à sua aquisição e que não há registros de utilização de créditos fiscais oriundos de benefícios concedidos pelo estado de São Paulo. A empresa garante que seus créditos tributários são previamente validados e que segue rigorosamente a legislação.

Artur Gomes da Silva Neto foi exonerado do cargo em agosto de 2025, mas a Justiça, após nova denúncia do Ministério Público, entendeu que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e a instrução criminal.