Preço da carne pode cair 4% em 2023 e voltar ao pré-pandemia, mostra Santander

Preço da carne pode cair 4% em 2023 e voltar ao pré-pandemia, mostra Santander

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Miriam Leitão*

Levantamento do banco aponta que cotação da arroba deverá se reduzir a R$ 240 em dezembro, o menor valor desde junho de 2019; dúvida é se queda será repassada.

Promessa de campanha de Lula, o churrasco de final de semana pode ficar mais barato neste ano, voltando inclusive ao patamar pré-pandemia. Um estudo feito pelo Santander mostra que a deflação da carne no IPCA tem espaço para chegar a até 4% em dezembro, se a queda de preços for repassada pelos frigoríficos.

Esse cenário positivo não tem a ver com ações do governo, mas sim com o chamado ciclo do gado, como apontam os economistas Felipe Kotinda, Daniel Karp e Gabriel Couto no levantamento. O salto na quantidade de abates mensais elevará tanto a oferta de carne no país que a arroba deve chegar a um preço de R$ 240 no final do ano, menor valor desde junho de 2019.

Os economistas explicam esse ciclo, que dura de cinco a seis anos, no estudo.

Funciona assim: em um determinado momento, o preço do gado está elevado. Quando isso acontece, o preço dos bezerros também sobe, já que os produtores vão investir nos seus rebanhos comprando mais animais. Já as vacas não serão abatidas (pois dão luz a bezerros).

Com o incentivo dos preços altos, uma quantidade muito grande de produtores estará se dedicando somente à criação de gado. O estoque de bezerros cresce, e os preços vão caindo. Quando isso acontece, os produtores vão reduzir seus rebanhos e aumentam o abatimento das vacas, elevando o fornecimento de carne e fazendo os preços caírem.

Mas menos vacas dão à luz menos bezerros, o preço volta a subir e o ciclo recomeça.

Abate subirá a maior patamar desde 2020

Na projeção dos especialistas, quando dezembro chegar o abate de gado alcançará cerca de 700 mil cabeças por mês, a maior quantidade desde junho de 2020. Com a oferta bem maior, o valor da arroba cairá ao menor patamar desde 2019, e se os preços da carne ao consumidor se comportarem como na média histórica, terão espaço para cair 4% dentro do IPCA.

No meio do caminho de preços menores da carne, entretanto, há dois pontos.

– Alguns riscos emergentes da nossa expectativa de declínio dos preços da carne no nível do consumidor – afirmam os economistas no relatório. – O alívio pode não ser repassado para os preços ao consumidor se os frigoríficos aproveitarem a oportunidade para recompor margens.

Outro ponto é a possibilidade de um aumento no ciclo de consumo da carne se as exportações se mantiverem em alta e o salário real dos brasileiros estimular o consumo.

– A carne brasileira atualmente está mais barata do que os pares globais – lembram os especialistas.

*O Globo

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