O modus operandi do golpismo: entenda a malandragem de Ricardo Nunes e João Dória em São Paulo

O modus operandi do golpismo: entenda a malandragem de Ricardo Nunes e João Dória em São Paulo

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O município de São Paulo bem como o Estado foi surpreendido nos últimos dias com o anúncio apressado da prefeitura de São Paulo, acompanhado na sequência pelo governo Estadual do retorno às aulas 100% presenciais. A decisão passa por cima de todas as medidas ainda necessárias para dar sequência à queda da Pandemia na maior cidade do Brasil e também no Estado mais populoso do país. No bojo desta decisão, não há absolutamente nenhuma constatação ou reconhecimento geral realizado em debate público sobre se a Pandemia encontra-se num nível tal que permita relaxar mais as medidas preventivas em ambientes com grande número de crianças e jovens.

Soa um tanto quanto estranho (creio que a grande imprensa também foi pega de surpresa) de que o Município de São Paulo tenha tomado a decisão de retorno às aulas de forma atabalhoada e antecipada passando por cima do governo do Estado de São Paulo. Na sequência, para evitar um mal estar, João Dória liberou o retorno das aulas na Rede Estadual de Ensino algumas horas após a decisão da prefeitura, invertendo completamente a lógica de decisões políticas de grande envergadura e repercussão. Em outras palavras, a prefeitura se antecipou ao próprio governador e colocou o decreto de retorno às aulas de forma desesperada e apressada, sem qualquer debate público.

Em condições normais de tempo/temperatura/pressão, uma decisão como esta deveria emanar em primeiro lugar do governo do Estado de São Paulo para então, em efeito cascata, incidir sobre as demais instâncias de poder. Porém, exigir algum tipo de “normalidade” ou “lógica” num país onde impera o Golpe de Estado dos quais partidos como o PSDB foram e ainda são os maiores representantes é exigir “demais”. João Dória, um dos maiores golpistas que o país conhece – figura extremamente desagradável e que governa contra os interesses da população (ainda que tente fazer marketing do contrário) correu nas horas subsequentes para colocar também o retorno das aulas para o dia 18 de Outubro.

Mas leitores, não se enganem. Aqui foi interceptada no radar uma estratégia que é bem típica do golpismo brasileiro com abusos de poder que passam na grande imprensa como “rito constitucional tradicional”. Para começo de conversa, ainda que tais decisões tenham embasamento legal (uma discussão da qual não cabe aqui) há claro uso da lei como ferramenta da ideia de “faço o que quero a hora que quero, basta dominar os dispositivo legais vigentes”. Isso, em primeiro lugar, é altamente típico de qualquer país onde a burguesia controla os mecanismos de poder e joga com essas ferramentas de formas a contemplar seus planos que não são nem um pouco republicanos. O Brasil inclusive tornou-se um dos países mais desmoralizados neste sentido desde o Golpe de Estado “travestido” de processo legal e “democrático” em 2016. Em segundo lugar, as decisões passam muito longe de duas perguntas que também ocuparam a mente de paulistas e paulistanos: – A pandemia recuou ao ponto de se relaxar drasticamente nas decisões preventivas? e – Há algum ganho efetivo e sólido na formação dos estudantes um retorno das aulas presenciais com menos de 1 mês e meio do fim do ano letivo?

Na grande realidade, essas dúvidas nem ao menos repercutem na grande imprensa que faz questão de interditar o debate e não quer expor a estratégia aqui emplacada. A estratégia e o objetivo aqui são outros. Além do deboche e desrespeito contra o povo em geral – do qual autoridades cínicas como João Dória dizem “representar”, há uma estratégia de socorrer o prefeito Ricardo Nunes (MDB) do grande baque enfrentado por este agora – a organização do movimento dos professores da Rede Municipal contra novas medidas de austeridade que este quer emplacar na Câmara Municipal de SP. Do ponto de vista da prefeitura, a sacada estratégica é liberar as aulas em um momento em que o forte e altamente sindicalizado movimento de professores do município ameaça com greve contra as novas medidas ultraliberais e criminosas na Câmara Municipal. Assim, caso os professores paralisem suas atividades, o prefeito e a imprensa poderão jogar a sociedade contra o professores, ou seja, justo no momento em que tudo “normaliza”, os alunos voltam para escola mas não há professores, o que pode gerar mal estar entre a sociedade e os profissionais da educação. Entenda que este é um jogo em que estudantes tornaram-se peças num tabuleiro de xadrez contra um adversário duro que é o conjunto de professores municipais que querem defender seus direitos trabalhistas.

Alguém pode se perguntar, onde é que o Dória entra nisso? João Dória sabe que a solidariedade com o prefeito de São Paulo vai muito além de mera empatia com seus semelhantes ideológicos. Avançar em medidas de austeridade na Câmara Municipal é o laboratório do que Dória pretende para a Rede Estadual no sentido de ampliar as medidas de cortes orçamentários e de sucateamento geral dos serviços públicos. Se as medidas austeras avançam na Câmara, é possível dar sequência em nível Estadual e, para os que almejam atingir o poder central do país e que se simpatizam com essa cartilha Ultraliberal estender essas medidas para nível federal. É todo um esquema bem articulado por quem trabalha o tempo inteiro contra os interesses da população.

Jamais Dória ou Nunes estão preocupados com a população, nem com a saúde e muito menos com o aprendizado dos alunos. A regra aqui é partir para o desmonte geral de todas as leis protetoras do trabalho e salvaguardar os interesses do Capital financeiro. O povo brasileiro enfrenta hoje pessoas da pior espécie possível no poder e é necessário reagir contra isso.  Não se enganem!

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