ENTENDA OS 30 ANOS DO IMPÉRIO PMDB/JACOB BARATA NO RJ: Tudo começou com Moreira Franco, em 1987.

De 1987 a 2017, apenas Leonel Brizola foi capaz de vencer a dinastia peemedebista no estado do Rio de Janeiro. São mais de 30 anos de PMDB à frente do segundo estado mais importante da federação, mesmo assim, facilmente se escuta ainda, quem diga que o governo Brizola é o grande culpado da violência e da ampliação do tráfico nos morros cariocas. Portanto, o problema do Rio de Janeiro vai além de governos, mas dá construção dinástica de uma política de côrte, oriunda do século XIX.


Picciani e seu filho, presos hoje em um desdobramento da Lava Jato, chamada Cadeia Velha, começa a desmontar essa dinastia que enraizou em todas as atividades sociais, econômicas e políticas no estado. Para se ter uma ideia, Edson Albertassi é dono da maior rádio Evangélica do interior fluminense, a Rádio 88, com alcance, inclusive, na baixada fluminense. Um dos maiores frutos “profícuos” desse grupo dinástico, foi Eduardo Cunha, que é a ligação de Michel Temer no estado do Rio de Janeiro.

Não se pode perder de vista que Temer é Cunha e Cunha é o financiamento do PMDB do Rio de Janeiro e esse braço chega diretamente ao PMDB Federal através também, de Leonardo Picciani, que foi líder do PMDB no período do golpe de 2016.

Todo o império construído desde os anos 80 coincide com a ascensão do Rei do Ônibus, Jacob Barata, que antes já contava com um quase monopólio do transporte público na capital carioca. A ampliação do reinado do ônibus se deu, fundamentalmente, nos anos 90, quando os barata passam a ter a totalidade do controle do transporte público em todo o estado. O método de dominação é baseado no sistema de leasing e não na propriedade direta, exceto em transporte interestadual. Onde os barata são sócios da Útil e da Viação Sampaio, que formam uma única empresa.

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O esquema de leasing, que domina as demais empresas de transporte urbano público no estado, funciona de maneira simples e eficaz. As viações de cidades como Resende, Volta Redonda, Barra Mansa e outras, que forma um só núcleo de 2 milhões de habitantes, compram ônibus reformados das empresas de Jacob Barata. Como as empresas do interior trabalham sem liquidez direta, financiam na modalidade leasing e não CDC, Crédito Direto ao Consumidor, toda a frota de ônibus. 

No leasing, quem compra não é dono do bem, mas sim um locatário com opção de compra no final do período do contrato. Ou seja, Jacob Barata é dono de quase todos os ônibus que circulam no estado do Rio de Janeiro, através da locação por leasing.

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Para que o monopólio do leasing fosse garantido, o Rei do Ônibus, Jacob Barata, contava com grande capilaridade política. Essa capilaridade era capaz de eleger o presidente da Câmara dos Deputados do RJ (ALERJ) ao gosto do empresário. Com isso, Jorge Picciani, o velho, foi eleito por 8 vezes presidente da ALERJ, interrompido apenas por Sérgio Cabral, que se tornou governador do estado.

A chegada de Sérgio Cabral ao governo do Rio marcou o domínio completo do transporte público, agora incluindo o interestadual, no Rio de Janeiro. Construindo uma situação esdrúxula, onde o trajeto entre Volta Redonda e Rio de Janeiro, com apenas 100 km, dominada pela Viação Cidade do Aço, passou a custar R$ 55,00, sendo o quilômetro mais caro que um voo internacional. Lembrando que as condições da via Dutra são as melhores da América Latina.

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O poder era tanto, que passou a seguir o padrão de domínio da máfia italiana, quando trouxe para a família Barata, um Ministro do STF, Gilmar Mendes, que se tornou padrinho de casamento da filha de Jacob Barata Filho. Mais tarde, foi justamente Gilmar Mendes que libertou o rei do ônibus e outros, do esquema carioca.

A operação de hoje, começa atingir o coração político do império do ônibus. Se tudo acontecer a contento e esperamos que seja sem nenhuma estupidez jurídica, tem a capacidade de desmontar um império que contou com apoio de diversos setores religiosos evangélicos, setores da segurança pública, ligações com o trágico de drogas, política e empresas. Tem, portanto, a capacidade de renovar a política do Rio de Janeiro, esperamos que seja para melhor e não para setores radicais religiosos.

Fábio St Rios

Cientista da Computação, Engenheiro de Software, Programador Senior, Profissional da Segurança de Dados e Estudante de História.

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