O FUTEBOL E O HUMANO: Panamá elimina seu invasor, EUA, e vai à copa pela 1ª vez.

Talvez, a gente tenha esse desejo de ver sempre o David vencer o Golias mas, no futebol, é bem mais do que isso. Símbolo de união social e em alguns momentos, de sentido de nação, o futebol proporcionou um daqueles raros e belos momentos fundamentados, não só no esporte mas, na história. O Panamá, uma nação que fica na América Central, quase América do Sul, onde fica o estratégico Canal do Panamá, precisava vencer a Costa Rica, o bicho papão da última copa, para ir a Copa da Rússia. Mais do que isso, para eliminar os EUA.


Para os panamenhos, os EUA são mais que um estado imperialista, são invasores. Em 1989, numa ação militar, os americanos invadiram o país e tomaram à força o comando do Canal do Panamá, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Foi uma ação covarde a uma nação que jamais cometera um ato ilegal contra seus invasores.

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Tanque americano e a estupidez brutal do exército invasor no Panamá em 1989

Nesse sentido, a classificação para Copa do Mundo da Rússia não era apenas uma questão de futebol, mas o golpe do fraco contra o forte, inclusive no campo. Os EUA estavam num período contínuo de participação em copas, desde 1994. Milhões vêm sendo investidos para fazer do hegemon econômico, o campeão mundial em 20 anos. Então, vem o Panamá e numa bola marota, que foi pênalti, mas não entrou, e o fantástico contra-ataque aos 43 do segundo tempo, e tira os gigantes do mundial, numa festa descomunal.

Poucas imagens representam tanto a grandiosidade do momento, quanto da invasão do torcedor, que de tanta alegria, faz o policial esquecer, por instantes, de suas funções e lembrar que a única ordem a ser estabelecida no mundo, é a da felicidade e a de ser humano, e abraça o jogador e o torcedor em campo. A fotografia é tão comovente e repleta de simbolismo, que nos faz pensar, utopicamente, que o esporte mais popular do planeta, pode realmente frear as dores do mundo.

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Hoje é feriado nacional no Panamá, decretado pela presidência. A alegação é de que ninguém iria trabalhar frente à imensa felicidade de se classificar e eliminar os EUA. Se na terra do Tio San ninguém comemorou a invasão e a crueldade da vitória contra os panamenhos em 1989, os panamenhos não precisaram de nada além de dois gols para se sentirem a nação mais feliz do mundo, ainda que por alguns instantes, e sua felicidade não subjugou ninguém.

A vitória do Panamá é bem mais que a vitória do futebol, nos traz a ideia de que o impossível acontece e que um país profundamente desfalcado de sua economia pela exploração americana, pode suplantar sua luta de classe e as dores do subdesenvolvimento da periferia capitalista e vencer a maior superpotência do mundo. A beleza do futebol está aí, não cabe nas baboseiras do mercado da bola, na estupidez do salário de “Neymares” e nem no egoísmo patético e obeso de “Ronaldos”.

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Há uma Copa na Rússia pela frente, com presidente Putin recepcionando os heróis que tiraram os EUA da copa. Vai ter Copa na Rússia e com o Panamá pela primeira vez em campo. Salve a alegria panamenha, salvem os deuses do futebol. Talvez eles não sejam tão capitalistas assim.

Fábio St Rios

Cientista da Computação, Engenheiro de Software, Programador Senior, Profissional da Segurança de Dados e Estudante de História.

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