CENTENÁRIO DA GREVE DE 1917: Em São Paulo, tributo marca homenagem ao mártir José Martinez

A região da Mooca, no próximo domingo, 9 de julho, em São Paulo, será o cenário para um tributo à Greve Geral de 1917 e que teve como mártir, o jovem operário anarquista, José Martinez.


O cortejo terá início às 9 horas da manhã e com saída da Rua Javari, 117 . No trajeto, locais emblemáticos como a Rua do Bucolismo, região do Brás/Bresser, onde Martinez foi assassinado por forças coercitivas do Estado ao reivindicar condições justas de trabalho para os operários.

Estarão presentes representantes de movimentos sociais, coletivos e, dentre eles, a forte articulação do Coletivo Democracia Corinthiana para que a ação pudesse ser realizada.

Relembrando a História:

José Martinez foi um jovem sapateiro anarquista sindicalista vinculado à Federação Operária de São Paulo (FOSP) e a Confederação Operária Brasileira (COB). Ele foi brutalmente assassinado, aos 21 anos de idade, pela polícia de São Paulo, quando participava da greve nas portas da fábrica Mariângela, no bairro do Brás. 

Sua morte foi um estopim para a Greve Geral de 1917 que paralisou o comércio e a indústria nas principais cidades do Brasil. Relatos históricos apresentam que seu funeral atraiu uma multidão que atravessou a cidade acompanhando o corpo até o cemitério do Araçá onde foi sepultado.

Tomados por grande revolta e luta, os operários da indústria têxtil Cotonifício Crespi, na Mooca, entraram em greve, e foram seguidos por outras fábricas e bairros operários. Três dias depois, mais de 70 mil trabalhadores já somavam forças ao movimento grevista. 

Armazéns foram saqueados, bondes e outros veículos foram incendiados, barricadas foram erguidas em meio às ruas e sob esse cenário, o Brasil vivia sua primeira greve geral, numa crise econômica, gerada pela primeira guerra mundial, sob condições de trabalho de forte penúria, fome e que incluíam até castigos físicos.

Vale ressaltar que dentre as pautas de reivindicações estavam a luta contra a chamada caristia de vida, a adoção da jornada de trabalho de 8 horas por dia e a abolição do trabalho infantil.

Unidos, os trabalhadores de todas as indústrias, do comércio e dos transportes coletivos aderiram ao movimento e promoveram dias de luta e força para o operariado brasileiro.

Celebrar o centenário da Greve Geral traz à tona, a força dos trabalhadores de São Paulo que enfrentaram as tropas do governo para que gerações futuras pudessem exercer suas atividades de forma digna e respeitosa.

Hoje, o país vive um período de luta, sob a força/memória desse jovem mártir que lutava por direitos e que, novamente, são golpeados por grupos desejosos de poder e opressão.

José Martinez está mais vivo do que nunca! Está em cada um que sai às ruas, nos acampados, nas mulheres que lutam por justiça, nas crianças que podem ter o direito ao futuro negado e nas periferias tão negligenciadas. Está em todos nós!

Assim, comparecer ao Tributo, nos faz honrar a luta de quem deu a vida para que pudéssemos construir nossa História.

Francis Paula Duarte

Francis Paula, professora da rede pública de ensino, no interior do Rio de Janeiro, mestre em Língua Portuguesa e nefelibata nas horas livres.

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