Fora EUA, fora forças armadas imperialistas

Essa não deveria ser apenas uma notícia, mas uma campanha. Uma campanha contra a presença dos EUA na realização de um exercício militar inédito no Brasil. Amazonlog, como é chamada, será uma operação logística multinacional prevista para acontecer no período de 21 a 28 de novembro de 2017 e que contará com a participação das forças armadas norte-americanas na região da tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia. Segundo o próprio site do Exército Brasileiro, o Comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, Major-General Clarence K. K. Chinn, demonstrou em visita recente ao país um grande interesse em aprofundar a parceria: “tem sido uma oportunidade fenomenal para aprendermos sobre o Exécito Brasileiro. ” Evidentemente o General Chinn ficou muito satisfeito – e como não ficaria? Ele e sua comitiva foram muito bem recebidos no comando militar da Amazônia onde tiveram a oportunidade de conhecer em palestra a complexidade logística da região, o Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), a operacionalidade e adestramento da 3ª Companhia de Forças Especiais. Parece mentira, mas nada pode ser tão despropositado, tal “parceria diplomática” é uma ameaça à soberania nacional. Se colocar em subserviência, justamente aos EUA que há tempos vem espionando o país, e que age hoje em parceria com a polícia federal, com o ministério público, e que tem dentre os seus colaboradores na lava jato figurões de grande relevância no cenário político/institucional brasileiro.


Ao que consta, o “tio Sam” segue a mesma receita e não pretende deixar de exercer o seu histórico controle às nações latino-americanas e o faz, financiando a mídia, alienando a classe média com seus enlatados Hollywoodianos, empoderando partidos e figuras políticas para destituírem governos legítimos explorando e usando a seu favor os problemas internos destes países, assim como aconteceu no mais recente golpe de Estado no Brasil. A presença dos EUA num país como o Brasil é ultrajante, nefasta e altamente constrangedora do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico e econômico, pois as políticas praticadas aqui sofrem intervenções e pressões advindas de Washington. Um exemplo importantíssimo e que não se pode deixar de mencionar foi o “Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América” de 1997. Tal acordo conforme se alertava à época era de potencial perigo à soberania nacional, já que a cooperação entre esses países obriga o Brasil a enviar para os Estados Unidos documentos de qualquer natureza, além dos mesmos poderem ser usados e divulgados em ações de interesse norte-americano.

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Como se suspeitava naquela oportunidade, por meio desse acordo de cooperação o Brasil poderia acabar por ter que se submeter às leis norte-americanas. É o que está acontecendo via operação Lava Jato. As empresas brasileiras estão sendo processadas nos EUA e obrigadas a pagarem bilhões de dólares, destruindo o acesso das mesmas ao mercado externo, além de interromper um processo de desenvolvimento econômico e avanço tecnológico através da cadeia de petróleo e gás, da cadeia da construção civil pesada e da indústria de defesa e projetos estratégicos. Estima-se que a operação Lava Jato tenha causado um prejuízo de R$ 140 bilhões ao país, onde trocando em miúdos, a recuperação de R$ 2 bilhões pelos procuradores faz do combate à corrupção um embuste sem igual na história de expropriação da nossa pátria, ainda mais quando sabemos que muitas empresas petroleiras, de acordo com a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apresentam níveis muito mais elevados de corrupção e continuam a operar livremente para os EUA. Bem-vindos ao capitalismo! Entretanto, não é algo estranho, nem ao menos nos espanta, apenas revela uma presença indigesta que se impõe há tempos sobre a soberania brasileira a fim de cuidar para que não haja nenhuma outra potência no continente americano.

Desta maneira, podemos compreender com mais acuidade que o Golpe de Estado e o atual momento de exceção que estamos vivendo reúnem grandes interesses, conjugados através de forças internas e externas ao país. É pelo conjunto da obra que não podemos aceitar a presença das tropas estadunidenses no Brasil, tão pouco fazendo exercícios militares num território de vital interesse nacional e de grande cobiça e lobby mundial para que se torne uma área livre e internacional. A Amazônia e demais territórios do Brasil e da América Latina ainda preservam grande parte de seus recursos naturais, uma riqueza sem igual no mundo e que naturalmente desperta interesses e que há séculos vem sendo roubada pelas nações imperialistas. Será que aqueles, que num passado recente, foram às ruas vestidos com camisas da seleção brasileira, dançando com rostos pintados de verde e amarelo, apoiando o Golpe, conseguirão compreender que ser nacionalista em qualquer que seja o país latino-americano é criar formas de luta e resistência contra as potências que historicamente exploram e subjugam a autodeterminação de nossos povos?

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Beto Moriarty

Graduando em Psicologia da Universidade Federal Fluminense. Trabalha na elaboração de mídia para comunicação visual e faz da palavra escrita refúgio e ponte para uma linguagem, que em sua essência é aquilo por detrás do qual não há nada.

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